Os desafios de um escritório de arquitetura em casa após a maternidade

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Readaptar a rotina de trabalho após a chegada de um filho é o que a Tatiana Pimentel precisou fazer para continuar comandando seu escritório de arquitetura.

O Conta Pra Elas se tornou uma plataforma de empreendedorismo materno, mas sabemos que muitas mulheres ao invés de abrir um novo negócio após a maternidade precisam reorganizar a vida, o grande dilema é aprender como farão para continuar seus negócios após a maternidade. Por isso, convidei a Tatiana para nos contar como foi e como tem sido manter seu escritório de arquitetura após a chegada do Antônio.

A Tati foi uma querida ao conceder essa entrevista que com certeza ajudará muitas arquitetas a se organizarem para encarar a maternidade e trabalho de uma forma mais leve.  Ela tem 37 anos, casada, mãe do Antônio de 1 ano e 8 meses, é arquiteta e urbanista e atua em Belo Horizonte.

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Paula Cota Fotografia

Vamos a entrevista:

1) Antes da maternidade você já era arquiteta? Já era uma empreendedora ou uma funcionária?
Desde que me formei, no início de 2005, tenho meu escritório de arquitetura. Empreendi desde o início, com a cara e com a coragem. Em 2011 abri minha empresa a fim de ampliar horizontes, participar de licitações e realizar os sonhados projetos públicos, princialmente na área de patrimônio cultural. Meu escritório já expandiu e retornou, conforme as demandas de cada época, e eu acho que isso tudo faz parte de uma saúde profissional.
 
2) Como você planejou a Tatiana arquiteta após a maternidade? Você pensava nisso? Quais os seus planos iniciais? Foi como você planejou?
​Isso foi o grande drama do meu puerpério. Eu jurava de pé junto que iria trabalhar com meu bebê dormindo no carrinho , ao lado da minha mesa de trabalho. Quando me falavam de grande dedicação, eu não imaginava que era tanto, não pensava que inclui seu tempo de tomar banho, comer e dormir.
Foi impossível trabalhar conforme meus planos. Quando meu filho fez 4 meses, aceitei uma proposta para desenvolver um projeto. Durante o dia, eu não conseguia trabalhar quase nada, porque amamentava em livre demanda e ele mamava muito, queria meu colo o tempo todo. 
Minha mãe me ajudava, mas não rendia muito. Quando ele dormia, eu tentava trabalhar, mas ele acordava de hora em hora  e eu saía da mesa de trabalho para atendê-lo. Quase enlouqueci e decidi que precisava de mais tempo… Com 10 meses, coloquei ele no berçário no período da tarde, para me liberar um pouco. ​
​Comecei a ter um mini tempo para mim. Sim, o tempo da tarde é mini, depois de deixar o bebê na escola você tem que arrumar toda a cozinha do almoço, limpar toda a comida espalhada no chão, no cadeirão, pela casa, guardar todos os brinquedos​, por a louça na máquina , a roupa na máquina, enfim, colocar ordem básica no ambiente em que se vive. Depois disso , metade do tempo já estava gasto  e não dava pra fazer muita coisa. Mas fui retomando o assunto, estudando, atualizando meu site, me colocando a disposição.
Quando ele estava com 1 ano e 4 meses, um ano depois do tempo que eu planejei, passei a levá-lo para a escola antes do almoço. Assim, ele almoçava e jantava por lá e eu não precisava me preocupar com essa parte. Isso foi definitivo para eu recuperar meu tempo para ser eu mesma. Minha profissão sempre foi muito formadora da minha personalidade, e eu senti muita falta dela durante esse tempo, mas não me arrependo de ter me dedicado a maternidade. 
Quando me disponibilizei ao trabalho, meu escritório de arquitetura automaticamente encheu de trabalho. Voltei a estudar ao mesmo tempo e isso tudo me encheu de alegria. Tinha muito medo de perder o traquejo profissional e hoje acho isso um grande mito da maternidade. A gente não precisa ter medo de não saber mais trabalhar, tudo volta ao seu devido lugar, quando se tem amor pelo que se faz.
3) Quais as adaptações você precisou fazer na sua vida profissional após a maternidade?
Quando fiquei grávida, eu sabia que teria uma fase longa de uma rotina de trabalho diferente. Fiz uma obra na minha casa, criando um escritório com entrada independente no meu apartamento, de modo que eu pudesse receber uma pessoa sem que esta precisasse passar por dentro da minha casa.
Tenho um espaço só de trabalho, sem interferência de outras funções, isso ajuda muito na concentração. Hoje levo meu filho à escola por volta das 10h, trabalho até as 17:30 com um rápido intervalo pro almoço. Se precisar, volto pro escritório depois que ele dorme.
É necessário ter objetividade e eficiência, não procrastinar. Mudei o foco do meu trabalho. Não participo mais de licitações, pois são contratos que exigem uma disponibilidade total, coisa que não é possível para mim atualmente. Hoje atendo a projetos de casas, reformas, design de interiores comercial e residencial. Faço projetos de restauro e outros serviços na área de patrimônio cultural, atendendo a empresas e pessoas físicas.
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Paula Cota Fotografia
 
4) Quais as maiores dificuldades você encontrou para ser uma empreendedora e mãe? Nessas dificuldades qual ou quais as maiores lições você aprendeu?
A maior dificuldade de ser empreendedora mãe é que para ter o próprio negócio é preciso ser produtiva. ​
​Muitas vezes estou muito cansada, com muito sono atrasado, e tenho que ser muito forte e atenta no que vou fazer.
Não é fácil. As vezes me pego pensando que se tivesse um emprego, poderia trabalhar com sono, sendo pouco produtiva, que o salário cairia na minha conta no fim do mês. No meu caso não funciona assim. O que me faz ter força é o fato de eu trabalhar com muito prazer, carinho e dedicação.
Trabalhar com arquitetura é materializar sonhos, uma grande e deliciosa responsabilidade. A maior lição que aprendi foi que não é preciso ter medo de perder a habilidade profissional por ficar afastada do lado profissional enquanto o filho é bebê. Respeitar essa fase é se respeitar.
5) Financeiramente falando, seu trabalho te da o mesmo retorno de antes ou você hoje ganha mais ou menos? Qual o motivo você da para isso?
​Ainda estou no início do recomeço, tem 4 meses que voltei ao trabalho e o retorno financeiro  está ​
​muito parecido com o anterior.  Trabalhando de forma objetiva e eficiente acredito que possa ser até melhor do que antes.
6) O que você acha que seja mais importante para uma mulher que está pensando em empreender ou reestruturar sua carreira saber?
A gente não precisa ter medo de não saber mais trabalhar, tudo volta ao seu devido lugar, quando se tem amor pelo que se faz.
7)Como você enxerga seu escritório de arquitetura daqui 5 anos? O que tem feito para          que isso            se concretize?
Estou aberta às adaptações que possam ser necessárias. Vejo que uma mãe não é mais 100% dona do seu destino. Tem uma criaturinha (ou mais de uma)  que vai sempre estar ali coladinho dando e recebendo amor, isso é o fundamental da vida.
Mas é possível trabalhar, se realizar e produzir profissionalmente muito bem.  E no fim do dia receber uma chuva de abraços e beijos da cria!
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Quero agradecer a Tatiana pela generosidade por dividir conosco suas experiências e contar até mesmo as suas soluções práticas que podem ajudar outras mulheres que precisam encontrar soluções para seus trabalhos pós maternidade.
Para conhecer mais sobre o escritório de arquitetura da Tatiana, é só acessar: ​www.voga.arq.br e www.registrodocumental.com.br​.

Conhece alguma mulher que deseja ter um escritório de arquitetura ou dar continuidade ao que já possui pós maternidade? Então, compartilhe esse texto com ela!

Mãe, esposa, cineasta, curiosa e apaixonada pela beleza das coisas.


3 ideias sobre “Os desafios de um escritório de arquitetura em casa após a maternidade

  1. Sou suspeita de comentar aqui tati. Admiro você como Mãe e admiro mais ainda sua força. Sempre alegre, distribuindo aconchego e carinho para aqueles que estão à sua volta. Parabéns por esse recomeço.

  2. Bacana, Tati!! Auto-conhecimento e auto-respeito!! Lindos!!
    Lindas fotos!! Lindos o Antônio e você!! :*

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